Frequentadores do Parque do Flamengo reclamam do risco de se machucar com linha chilena

Frequentadores do Parque do Flamengo, na Zona Sul do Rio, correm o risco de se ferir com linhas chilenas ou com cerol. O local tem recebido um festival de pipas nos últimos meses - o que por si só não é considerado problema. A prática de usar as linhas cortantes, entretanto, assusta.

No sábado (6), a menina Eloah Macedo, de 8 anos, ferida por linha chilena, teve de amputar uma das pernas. Ela foi teve as duas pernas cortadas pela linha numa passarela na Avenida Brasil, em Realengo, na Zona Oeste, no dia 31 de março. A menina segue internada em estado grave.

O motorista Sérgio Corrêa corria na Praia do Flamengo no fim de semana para relaxar. Agora, se exercita preocupado com a areia por onde pisa.

“O Aterro do Flamengo é o quintal da nossa casa. E eu sou praticante de esporte na areia, corro na areia. Mas de um tempo para cá, mais de um ano, essa linha chilena começou a incomodar os frequentadores do Parque do Flamengo. A linha espalhada ao longo da praia, e começou a incomodar os moradores, os frequentadores do parque. Pequenos acidentes. Eu mesmo tive o tendão do pé direito cortado “, conta Corrêa.

Imagens feitas na última sexta-feira (5) mostram que a Praia do Flamengo virou ponto de encontro de gente que se diverte soltando e cortando pipa.

“Toda sexta-feira à noite, a partir de 21h até umas 2h, existe um festival de pipa. Vem pessoas de São Paulo, de outros estados, junto com pessoas aqui do Rio, de vários bairros da cidade e fazem um festival de pipa. Sempre a diversão deles é cortar a pipa um outro, com a linha chilena. Dificilmente você vai encontrar alguém aqui, que admita. Eles dizem que é puro, a linha sem cerol”, conta o professor de vôlei de praia Augusto dos Santos.

Soltar pipa com linha cortante é proibido. Mas um vídeo gravado na sexta-feira mostra que a polícia passa e não incomoda quem está infringindo a lei. Uma foto feita no local, mostra um carretel de linha chilena ao lado das pipas.

“Como os agentes do Aterro Presente fica até as 22h, e não estavam deixando eles soltar antes das 22h, eles esperam o Aterro Presente ir embora e começam o festival”, disse Santos.

Depois que o encontro acaba, o pessoal vai embora e deixa para trás a sujeira. No dia seguinte, são os funcionários da Comlurb e os próprios frequentadores da praia que precisam limpar as armadilhas do caminho.

“A gente que vem praticar esporte e perde praticamente uma hora catando linha no chão.

Você pode andar isso tudo aqui que você cata linha chilena. Inclusive tem vários pássaros que a gente pega com aquela linha presa. Aí você tira, depois ele perde a patinha. É pata de cachorro, é pata de gato, é gente também. E corta que é uma navalha, um horror”, reclama a aposentada Sônia Coelho.

Os rastros dessa brincadeira perigosa se espalham da areia da praia até no calçadão, com pedaço de linha chilena por toda a pista. Uma amendoeira está completamente coberta por um emaranhado de fios que cortam como navalha.

“Não sou contra o festival de pipa em si. Sou contra a linha chilena que é super perigosa. Conheço várias outras pessoas que tiveram acidente com linha chilena”, diz Sérgio Corrêa.

A linha chilena é uma ameaça quase invisível que pega quem passa desprevenido, como lembra o corretor de imóveis Michel Singer. .

“A pipa estava esticada. Estava na bicicleta, fui mexer no bolso, não cheguei nem a ver a linha. Ela passou, cortou, quase pegou na veia também. Na hora coloquei um pano, a blusa, fui para casa correndo. Até passei num posto de saúde só que não precisou levar ponto. Mas foi um corte bem feio. Um susto. Se pegasse o pescoço ia ser pior, né?”, contou o corretor.

O motorista Sérgio Corrêa preparou um abaixo-assinado com os frequentadores da praia, que já conta com cinco páginas e fez contato com a Superintendência da Zona Sul, administração do parque. Mas não teve nenhum retorno. Ele diz que não é contra o festival de pipas. A luta é contra o uso da linha chilena.

A Polícia Militar disse que o 2º BPM (Botafogo) não recebeu nenhuma denúncia ou acionamento sobre esse problema.

A Superintendência da Zona Sul e a administração do Parque do Flamengo informaram que fizeram uma operação na sexta-feira no parque com apoio da Guarda Municipal para coibir o uso de linha chilena. E disseram que vão fazer isso toda semana. Mas não informaram se alguém foi autuado. A Superintendência disse também que o festival não tem autorização para acontecer e que vai coibir o evento.

 

Fonte: G1

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