A
convite de Temer, Dilma prestigia PMDB em convenção
Da:
Agência Estado
Com
a campanha nas ruas, sob ataques da oposição
e pressionada pela movimentação eleitoral
do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), a presidente
Dilma Rousseff lançou uma ofensiva para cimentar
a aliança com o PMDB para 2014. A fórmula
combina gestos simbólicos e a promessa de mais presença
na Esplanada para o partido. O primeiro passo será
a presença de Dilma na convenção do
PMDB, no próximo sábado (2).
Antes,
na noite de quinta-feira (28), a presidente vai ao Palácio
do
Jaburu,
a convite do vice-presidente Michel Temer, para participar
de jantar em homenagem ao ex-presidente José Sarney
(PMDB-AP), no qual estarão presentes ministros, senadores,
deputados e governadores da sigla.
O
objetivo do Planalto é sinalizar que o PMDB é
o aliado preferencial para a sucessão de 2014. O
partido recebeu ainda o aceno de que poderá vir a
ser contemplado com o ministério "top",
na visão de peemedebistas: o dos Transportes, que
a presidente pretende entregar a Minas Gerais. Um dos cotados
é o deputado Leonardo Quintão, que em 2012
abriu mão de sua candidatura a prefeito de Belo Horizonte,
para apoiar a aliança com o PT.
Ao
mesmo tempo em que consolida a aliança com o PMDB,
a presidente também arquiteta uma recomposição
com o setor empresarial. Dilma vai se reunir com os pesos
pesado do PIB nacional para se contrapor ao discurso tucano,
que tem centrado críticas no desempenho da economia.
A
presidente participará nesta quarta-feira, no Planalto,
da reunião que vai comemorar os dez anos de criação
do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social
(CDES). Este está sendo considerado mais um ato de
campanha, já que o governo quer exaltar o "Conselhão"
como mais um marco dos dez anos de governo petista e injetar
ânimo nos empresários.
No
encontro, ao qual estarão presentes empresários
e representantes da sociedade civil, a presidente Dilma
vai se dedicar a bombardear o discurso pessimista sobre
a economia, embalado pelo PSDB nos últimos dias.
Ela não pretende responder diretamente ao ex-presidente
Fernando Henrique Cardoso, que a chamou de "ingrata"
e disse que a presidente "cospe no prato em que comeu".
A ideia é continuar fazendo balanços e mostrar
resultados positivos alcançados pelo governo petista.
Os
tucanos têm criticado em seus discursos a alta da
inflação e o baixo crescimento do País.
A oposição não se cansa de proclamar
que o IPCA, um dos principais indicadores inflacionários,
fechou em alta de 0,86%, maior índice nos últimos
dez anos, e que a prévia do Produto Interno Bruto
(PIB) de 2012, divulgada semana passada pelo Banco Central,
apontou para uma expansão de 1,64% da economia, bem
menor do que a expectativa do ministro da Fazenda, Guido
Mantega.
O
governo insiste em responder que medidas foram tomadas contra
a crise e que os resultados estão sendo aguardados.
Este discurso será repetido hoje no Conselhão
pela presidente, que pretende apresentar estatísticas
e dados positivos, como a concessão de portos e aeroportos.
Tais medidas, acredita, permitirão a ampliação
dos investimentos da iniciativa privada em projetos estratégicos.
A
movimentação de partidos da base aliada também
está na mira de Dilma, para evitar defecções
em 2013, prejudicando o projeto da reeleição.
Por isso os afagos ao PMDB. A convenção de
sábado (2) consagrará e reiterará Michel
Temer como presidente de honra do partido. Hoje Temer está
licenciado desse cargo, mas continua sendo a maior liderança
do partido.
Durante
a convenção também será escolhida
a nova direção do PMDB. Ao prestigiar Temer,
Dilma deixa claro que o quer na Vice-Presidência também
em 2014. O ex-presidente Lula, padrinho político
de Dilma e arquiteto da sua reeleição, chegou
a sugerir nos bastidores que a Vice fosse entregue ao PSB
em 2014 para evitar que Eduardo Campos se lançasse
candidato.
A
especulação provocou ruídos na relação
do PT com o PMDB. Agora, a ideia foi abandonada pelos petistas.
Dilma
recebeu na terça-feira (26), em seu gabinete, por
duas horas, o governador do Ceará, Cid Gomes (PSB),
três dias após o irmão dele, Ciro Gomes,
ter atacado todos os presidenciáveis - o correligionário
Eduardo Campos, inclusive, além de Marina Silva e
Aécio Neves. Ciro disse que o governador de Pernambuco
e presidente do PSB não tem visão de Brasil
e nem proposta para o País. O Palácio do Planalto
conta com os irmãos Gomes como cabos eleitorais de
Dilma.
Fonte:
As informações são do jornal O Estado
de S. Paulo. |