ESCAVANDO O PASSADO DA CIDADE: HISTÓRIA POLÍTICA DA CIDADE DE DUQUE DE CAXIAS - MARLUCIA SANTOS DE SOUZA. 30/04/2014

A Historiadora Marlucia Santos de Souza, é Mestre em História pela (UFF) Universidade Federal Fluminense e Especialista em História Social do Brasil pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Duque de Caxias. Com o apoio de seus amigos professores. Transformou a sua tese escrita em (2002), disponibilizado na internet, em um livro didático para os adeptos da pesquisa que ganhou o Título: Escavando o Passado da Cidade – Historia Política da Cidade de Duque de Caxias no período de 1900 a 1964. O Livro privilegia o mapeamento dos diferentes grupos sociais que dominam a Baixada Flumininense e o poder político. Segundo Marlucia:

“Escavar o passado da cidade é um esforço de desenterrar as ruínas da estrutura arquitetônica do poder em Duque de Caxias. Duque de Caxias é um dos municípios que compõe a Baixada Fluminense dividida em quatro distritos: Duque de Caxias, Campos Elíseos, Imbariê e Xerem, com uma população de aproximadamente 770,865 habitantes e o segundo no estado em arrecadação de ICMS. O rendimento médio dessa população situa-se em um salário mínimo, contra 5,5, salários da zona Sul Carioca e Niterói, além de 1,4 da média do estado. A segregação construída historicamente nessa periferia e a utilização da violência como instrumento de manutenção do domínio do poder político local e de proteção à propriedade, geraram a produção de dois fenonemos: o extermínio e a ascensão de matadores no domínio do Legislativo e do Executivo Local. Ao investigarmos o processo de ocupação colonial, deparamo-nos com uma região que foi ao longo do tempo, integrada à lógica da colonização portuguesa.

A igreja católica desempenhou um papel preponderante na organização administrativa do local, na produção e no controle social em nome do rei. Para organizar, enquadrar colonos e escravos à lógica da fé da Coroa portuguesa, e, ao mesmo tempo garantir a sociabilidade no local, varias irmandades religiosas foram sendo instituídas ao longo do século XVIII. A movimentação da produção não se diferenciava do restante da colônia, a força servil e escrava do índio e do escravo africano. A geografia, a proximidade com acidade carioca, a articulação com escravos das fazendas com taberneiros garantiram aos quilombolas a possibilidade de integração à economia local, à sobrevivência e também ao acoitamento. No século XIX, o rápido crescimento populacional da cidade do Rio de janeiro, afirmou o papel da região como abastecedora de alimentos do centro provincial e, posteriormente, da corte imperial. Os avanços da produção cafeeira sobre o Vale do Paraíba e o crescimento das exportações do café tornaram, mais uma vez, a região do centro da economia com o centro político e portuário.

O trafico de influencia tecido durante a Primeira Republica favoreceu alguns setores tradicionais da região e a presença de forasteiros que almejavam enriquecimento fácil. Caso exemplar é o de Tenório Cavalcanti: apadrinhado pelo trafico de influencia do bloco de Washington Luiz, beneficiou-se com capanagem, com o acompanhamento e a segurança nas obras da Rodovia Rio-Petropolis, e com o controle dos setores populares. Por meio da violência e das funções realizadas, adquiriu propriedades incorporou-se ao comercio e a uma família tradicional do lugar.
Apesar do crescimento progressivo de pessoas em Caxias, a cidade encontrada por Tenório ainda era uma rural em processo de transformação, da urbanização. Após o golpe de 30, com a alteração do jogo político nacional, as antigas forças hegemônicas foram substanciadas por outras. Novos arranjos regionais entraram em curso, favorecendo um processo maior de centralização e de adesões de grupos políticos locais ao bloco getulista. As fortes presenças do governo Vargas durante o Estado Novo fizeram sentir em Caxias por meios de projetos de colonização e industrialização. O crescimento do getulísmo e de seu representante estadual, Amaral Peixoto, na região subalternizou ainda mais os setores desvinculados de esfera de influencia. Durante o período de 1945 a 1960, Caxias foi palco de intensas disputas pelos poderes local e regional entre UDN, o PSD e o PTB. Tenório integrante da UDN, intensifica sua pratica política assistencialista, funda seu próprio jornal, nomeando Luta Democrática em 1964, a fim de preservar seu eleitorado e manter sua base política. Compõe seu próprio bloco de poder, o tenorismo, e se envolve em disputas violentas com o amaralismo.

Frente ao avanço da votação na Baixada no trabalhismo e ao crescimento do PTB nas disputas locais regionais. Tenório Cavalcanti incorpora-se a um partido de cunho trabalhista e socialista. Em 1962, disputa as eleições, com o apoio de setores da esquerda e do Partido Comunista, obtendo uma votação surpreendente, que assegura o segundo lugar nas disputas com o PTB. Durante este período o jornal seu jornal tornou-se instrumento de comunicação das lutas dos movimentos sociais.
Simultaneamente, o ano de 1962, ficou marcado, de um lado, pelo crescimento das forças de esquerda e, por outro, pela maior organização dos comerciantes a necessidade da manutenção da ordem e da defesa de suas prerrogativas. Para tanto, financiaram sua própria milícia e obtiveram do poder publico a implantação de um instrumento de controle da massa urbana empobrecida: O Batalhão da Policia Militar.
A possibilidade de participação política dos trabalhadores foi brutalmente golpeada pelos militares em 1964, restando o silêncio a ordem e o conservadorismo. A Ocupação militar, perseguição de lideranças comunistas, desmantelamento das organizações dos trabalhadores, privatizações inicialmente da FNM e, mais tarde, da FABOR -, desemprego, fechamento da FIAT, aterro, crescimento das máfias da saúde, da educação e do transporte, Lei de Segurança Nacional e extermínio, demonstram o declinio desta sociedade.

Numa perspectiva, thompsoniana, os movimentos sociais. políticos e culturais aqui descritos, mesmo tendo sido destruídos pela repressão, permanecem enquanto possibilidades. O passado não fica bloqueado pelo totalitarismo presentista dos projetos vitoriosos, mas existe enquanto compêndio de experiências, pronto para ser analisado, compreendido e reinventado. Uma autoconstrução permanente de um projeto alternativo de vida e de cidade”, conclui, Marlucia.

Texto síntetico da Conclusão do Livro de Marlucia Santos de Souza: Escavando o Passado da Cidade – História Política da Cidade de Duque de Caxias.

 

Reinaldo de Jesus Cunha.
Aluno de Pós Graduação de Sociologia e Religião da FEUDUC - Caxias

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